Quando você pensa no futuro, o que você imagina?” essa é a pergunta principal que Johnny (Joaquin Phoenix) faz às crianças de várias origens, raças, gêneros e lugares como parte do projeto que serve como base para o mais recente filme do roteirista e diretor Mike Mills.

As crianças – que não são atores – falam sobre o medo da mudança climática, discutem complicações familiares e as maneiras pelas quais os adultos não os ouvem; eles tocam na solidão e na perda de maneira genuína e tocante. Suas respostas dão ao filme uma qualidade expansiva – moral, intelectual e emocionalmente – fundamentada pela única família em seu centro.

Depois de uma separação ruim, a perda de sua mãe e um relacionamento tenso com sua irmã Viv (Gaby Hoffman), Johnny se fechou para quase tudo, exceto seu trabalho. Mas sua rotina equilibrada toma um novo rumo quando viaja para Los Angeles para visitar sua irmã e o sobrinho de 9 anos, Jesse (Woody Norman).

O pai de Jesse mudou-se para Oakland, Califórnia, mas está caindo em uma de suas crises periódicas de transtorno bipolar e Viv pede a Johnny para cuidar de Jesse enquanto ela cuida do ex. Aqui se inicia uma estada que acabará se transformando em uma jornada emocionante para os dois – e para nós também – importante destacar que mesmo Viv não sendo a personagem principal deste filme, é o amor de mãe que movimenta a trama de Sempre em Frente.

C'mon C'mon' Trailer: Joaquin Phoenix & Mike Mills in Black and White |  IndieWire

O primeiro filme de Joaquin Phoenix desde sua atuação vencedora do Oscar em Coringa não poderia ser mais diferente. Enquanto Coringa era sobre como o mundo pode ser sombrio e deprimente, “Sempre em Frente” pinta uma visão muito mais otimista e empática da humanidade.

A relação entre Johnny e seu sobrinho Jesse é o coração e a alma do filme, ela parece autêntica e real – algo só possibilitado pelas ótimas performances de Joaquin Phoenix e Woody Norman; Woody e Phoenix formam uma ótima dupla e vê-los interagir é como assistir a um momento natural entre tio e sobrinho – ou pai e filho. Jesse, em particular, tem muitas necessidades: desde histórias diárias para dormir, até sair correndo e se esconder à luz do dia sem aviso prévio. Ele é uma criança precoce, inconveniente e cheia de caprichos que mascaram e revelam sua solidão e suas vastas e silenciosas necessidades emocionais.

Ambos os personagens parecem autênticos e, à medida que o filme se desenvolve, somos capazes de nos apegar com ambos. Eles são falhos, mas genuínos, e à medida que aprendem e crescem ao longo do filme, a mesma mensagem é passada para o público.

A ausência da comunicação e o medo da vulnerabilidade está sempre presente na trama, seja através da irmã que não sabe dizer ao irmão que a mãe nunca foi tão atenciosa com ela, da mãe que não sabe como contar ao filho que seu pai está com problemas desesperadores ou do tio que não sabe dizer ao sobrinho que sente muito por não estar tanto por perto.

Mas para suprir essa necessidade em compartilhar sentimentos, Mills faz seus personagens lerem passagens de livros e ensaios que os ajudam a processar como se sentem e às vezes, eles até abandonam completamente as palavras e se comunicam simplesmente com o bater de dedos na mesa.

Mais notavelmente, há a surpreendente fotografia em preto e branco de Robbie Ryan. Cada quadro é tão lindo de se ver que ele consegue encontrar beleza nas ruas sombrias de Nova York e nas autoestradas lotadas de Los Angeles. A trilha sonora de Aaron e Bryce Dessner também desempenha um papel fundamental, trazendo ritmo e doçura ao filme.

Intimidade, conflito e confusão são entrelaçados em uma história direta por meio de formas básicas de conexão: telefonemas, mensagens de texto. Os últimos aparecem no estilo de legenda na tela, despojados de qualquer tentativa cansativa de parecer excessivamente moderno.

C’mon C’mon é o tipo de filme que não vemos com frequência em Hollywood. É um retrato humilde das conexões cada vez mais profundas de uma família em uma sequência de prazeres cinematográficos: design de som, fotografia e as performances tocantes de Norman e Phoenix.

Em uma entrevista sobre “Sempre em Frente” , Joaquin Phoenix disse: “Eu era constantemente lembrado do que eu amo na atuação”. Após ver o filme, é fácil perceber porquê.