Filme, que chega aos cinemas em 02/12, aborda questões contemporâneas como diferença entre as gerações e homofobia

Conhecido por sua versatilidade como ator, que vai desde superproduções como a trilogia “O Senhor dos Anéis” a independentes latinas, como o argentino “Jauja”, Viggo Mortensen é um dos atores mais queridos de sua geração. Agora, estreia em roteiro e direção de cinema com o drama FALLING – AINDA HÁ TEMPO, no qual também atua num dos papéis centrais. O longa será lançado pela Califórnia Filmes em cinemas de todo o Brasil em 02 de dezembro.

O filme foi exibido em diversos festivais e ganhou vários prêmios. Fez parte da seleção oficial de Cannes 2020 (que mesmo não acontecendo, divulgou uma lista dos títulos que exibiria), e foi indicado ao Goya na categoria Melhor Filme Europeu, e ganhador do prêmio de montagem no Directors Guild of Canada, entre outros.

Em seu longa, Mortensen interpreta John (Viggo Mortensen), um ex-militar que se tornou piloto comercial, e vive com seu parceiro Eric (Terry Chen), e sua filha adotiva, Mónica (Gabby Velis), na California, deixando para trás a vida rural e retrógrada da fazenda de seu pai, Willis (Lance Henriksen), um homem com uma mentalidade ultrapassada, e que também começa a enfrentar os primeiros estágios de demência, e que rompeu relações com o filho. Este, com o intuito de cuidar do pai com ajuda da irmã (Laura Linney), o traz para sua casa até que encontrem um lugar melhor para instalar o homem.

A ideia para FALLING – AINDA HÁ TEMPO veio quando eu atravessava o Atlântico, num avião, após o funeral da minha mãe. Eu não conseguia dormir, e minha mente só pensava em diversos da história dela e da minha família. Eu senti que precisava descrever esses episódios, por isso escrevi diversas cenas aleatórias e diálogos da minha infância. Quanto mais escrevia sobre minha mãe, mais pensava no meu pai. Mas o que eu trouxe para o filme é uma história ficcional de uma família que têm algumas coisas em comum com a minha.”

Mortensen se lembra dos diretores e diretoras com quem trabalhou, e que serviram de inspiração e influencia em sua estreia, e cita em especial Peter Jackson (“O Senhor dos Anéis”), Jane Campion (“Retratos de uma mulher”), David Cronenberg (“Marcas da Violência”, entre outros). “Tenho muita sorte. Aprendi muito com cineastas muito competentes, e tentei aplicar esse aprendizado quando preparava as filmagens e na maneira de como lidar com o elenco e a equipe. Como ator, eu sempre fui muito intrometido, creio. Sempre me interessaram as lentes que alguém escolhe, ou por que uma cena é feita assim, ou razão deste figurino. Sempre gostei do aspecto mais colaborativo do cinema, e da oportunidade de participar do processo de contar uma história.”

Embora relutante para assumir um dos papeis principais do filme, Mortensen acabou aceitando fazer o personagem para ajudar no financiamento do longa. Ele define John como uma figura típica progressiva da Costa Oeste dos EUA. Ao contrário de Willis, o pai do personagem, nascido e criado no coração do país, um fazendeiro, e a definição de um homem conservador. E um dos temas de FALLING – AINDA HÁ TEMPOse torna a mudança na ideia contemporânea de masculinidade e nos modelos familiares.

Como ator, Viggo é conhecido pela sua preparação cuidadosa para os papéis, sua atenção aos detalhes. É possível ver tudo isso também no seu trabalho como diretor, ou roteirista ou na atuação nesse filme. Ele traz o mesmo rigor para qualquer tipo de função que está fazendo. Percebemos isso desde o início das filmagens”, comenta o produtor Chris Curling.

A Hollywood Reporter afirma em sua crítica que “FALLING – AINDA HÁ TEMPO não transforma sua paisagem emocional numa questão simples de rejeição ou perdão. O filme sabe de mesquinhez ou afeto podem existir na mesma pessoa, e que a tolerância, mesmo quando é de mão única, beneficia tanto quem dá quanto quem recebe.” A Variety apontou que este é um filme acessível a todos os públicos, e compara o trabalho de Mortensen ao de Clint Eastwood dos últimos anos, “que é um excelente lugar para se estar, ainda mais por ser estreante na direção”.