Ás vezes, a sequência é MUITO melhor!

É raro que uma sequência supere o original, mas “Venom: Tempo de Carnificina” consegue isso. O filme abraça o ridículo, propõe quase que uma sátira de comédia romântica com cenas de ação melhoradas e um desenvolvimento tosco, mas atraente. Além disso, o longa termina a estrutura da história de origem iniciada no primeiro filme, com nosso personagem principal finalmente decidindo ser o anti-herói “protetor letal” (como se autodenomina) Venom.

Eddie Brock de Hardy, está basicamente onde o deixamos no último filme: um repórter de São Francisco, agora com a carreira recuperada, seu relacionamento com a ex-noiva Anne (Michelle Williams) ainda está acabado e ele tem um assassino dentro dele. Seu corpo hospeda um alienígena simbiótico, Venom, que pode espreitar invisivelmente e rosnar para Eddie em uma voz que só ele pode ouvir. De qualquer forma, o monstro precisa de alimento. Embora sua comida preferida seja cérebro, ele pode sobreviver com chocolate e galinhas vivas; muito da comédia do roteiro deriva das tentativas de Eddie de manter Venom de dieta.

Eddie (Tom Hardy, left) interviews Cletus (Woody Harrelson) in prison in Columbia Pictures’ VENOM: LET THERE BE CARNAGE.

Quando Brock tem a oportunidade de entrevistar o assassino em série condenado Cletus Kasady (Woody Harrelson), tudo que Eddie pode fazer é impedir que Venom coma o ressentido Detetive Mulligan (Stephen Graham), que acompanha sua visita. Mas Venom é quem é mordido: Kasady morde Eddie e, de alguma forma, um pouco daquele material alienígena simbiótico entra em sua corrente sanguínea. Mais tarde, quando o prisioneiro do corredor da morte está na câmara de execução, esse material se mistura com produtos químicos de injeção letal para transformar Kasady em Carnificina, uma besta vermelha que anseia por derramar sangue e se vingar de Venom (não sabemos o porquê desse ódio, afinal, mesmo sem intenções ele o gerou).

“Venom: Tempo de Carnificina” é uma sequência fiel aos quadrinhos dos anos 90 com um roteiro bizarro mas com consciência disso. Por trás das piadas malucas, dentes rangendo e gosmas, existe algo totalmente diferente: uma história de amor. Não entre Eddie Brock de Tom Hardy e Michelle Williams , nem mesmo entre o vilão Carnificina de Woody Harrelson e a mutante de Naomie Harris, mas sim entre Eddie e o gigantesco simbionte que habita dentro dele, Venom.

Eles ficam irritados um com o outro e discutem sobre quem está realmente no comando. Mas, eventualmente, surpreendentemente, eles revelam uma conexão emocional genuína à medida que chegam à compreensão de que, na verdade, são melhores juntos.

Por um lado Eddie não quer machucar ninguém e Venom fica feliz em machucar apenas os malfeitores, já Carnaficina e Kassidy não têm nenhuma dessas limitações e o resultado é extremamente violento (pelo menos, seria se este filme não fosse classificado como PG-13). Como resultado, grande parte da carnificina real é feita por meio de pancadas sem sangue e muita destruição de propriedades, com o ocasional “comer” implícito de cabeças. Na verdade, demonstrar que Carnificina é muito mais violento e confuso do que Venom é desafiador sob essas limitações, e em algumas cenas nossa imaginação que faz a maior parte do trabalho pesado.

Carnage from Columbia Pictures’ VENOM: LET THERE BE CARNAGE.

Assim como Tom Hardy é ideal para o papel de Eddie Brock, Woody Harrelson não poderia ser mais perfeito como Cletus Kassidy. Tivemos um pequeno vislumbre de sua performance nas cenas pós-créditos do primeiro filme de Venom, mas Harrelson entrega tudo na sequência.

Suas mudanças dramáticas no tom de voz, seus movimentos corporais perturbadores e até mesmo seu estranho corte de cabelo, se juntam para formar um personagem que mesmo não sendo fisicamente ameaçador, ainda é assustador.

Kassidy não quer nada mais do que passar mais um dia neste planeta com seu amor de infância e sua colega violenta psicopata Frances Barrison, conhecida nos quadrinhos como a mutante Shriek devido às suas capacidades sonoras. Inclusive, embora Shriek nunca seja chamada pelo nome ou rotulada como uma mutante neste filme, os poderes estão lá e são muito bem usados.

Shriek (Naomie Harris) inside her sound proof cell at Ravencroft in Columbia Pictures’ VENOM: LET THERE BE CARNAGE.

Mesmo agradando uma boa parcela dos fãs do anti-heróis, Venom mais uma vez divide opiniões entre o público. Trata-se de um roteiro fraco, com uma montagem bagunçada e desfechos apressados, mas sabemos que Andy Serkis usou da aceitação do ridículo para preparar o público para o que pode vir futuramente. O que podemos esperar de Venom? E isso fica ainda mais claro com a cena pós-créditos, (sem spoilers), que nos alerta à não ficarmos muito confortáveis com a ideia de um Venom fofinho e bondoso, sempre há mais filmes para mudar a nossa opinião.

Não é sobre o fim do mundo, como costuma ser nos quadrinhos, é apenas sobre a luta de um homem com seus próprios demônios literais e figurativos.