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Crítica | ‘Babenco: Alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou’

Dirigido por Bárbara Paz, o documentário “Babenco: Alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou”, vencedor de vários prêmios, inclusive o tão aclamado Leão de Ouro no Festival de Veneza como Melhor Documentário, tem como enredo o fim da vida do diretor Hector Babenco, que foi quem teve a ideia de documentar seus últimos dias.

Babenco, argentino naturalizado brasileiro, dirigiu filmes como ‘Carandiru’ e o indicado ao Oscar ‘O Beijo da Mulher Aranha’. Ele lutou por mais de trinta anos contra o câncer mas morreu em 2016 vítima de um enfarte.

O documentário, usa da arte um conforto em um cenário que tinha tudo pra ser simples e meramente triste.

De forma minimalista Bárbara Paz filma com clara admiração e amor o marido em uma fotografia resumida em closes de tirar o fôlego.

Babenco - Alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou | Crítica |  Festival Cenas de Cinema

A visão de um diretor que a tanto tempo filmou a vulnerabilidade de seus personagens e suas histórias, agora é o protagonista de sua última obra que também é uma despedida a arte e ao público.

Uma homenagem que fez a si mesmo enquanto vivo, onde reflete sobre sua trajetória e principalmente sobre a chegada da temida morte.

Um documentário fora do normal, em uma montagem brilhante que mescla memórias do diretor com cenas de seus trabalhos mais memoráveis, como se as cenas estivessem em sintonia com seus sentimentos, reforçando ainda mais a relação entre criatura e criador.

Inclusive, enquanto dirige uma cena do filme Meu Amigo Hindu em que o personagem de Willem Dafoe tem câncer e está no fim da vida, notamos o que parece uma parte ficcional da própria vida do diretor, dada a semelhança do personagem com sua atual situação.

A vulnerabilidade do diretor é retratada de forma real e sensível, seja enquanto lembra quando recebeu a notícia de que teria pouco tempo de vida ou seja sentado em uma maca de hospital em mais uma consulta médica. Ainda assim, nenhuma cena tem como foco a tristeza da morte.

Babenco – Alguém Tem Que Ouvir o Coração e Dizer: Parou” é escolhido para  representar o Brasil no Oscar 2021 – Primeira & Sétima Arte

Por fim, cenas em preto e branco, simbólicas e detalhistas, sempre com o close como principal ferramenta faz da despedida de Babenco digna de sua trajetória e carreira. Por isso, não é surpresa que o título seja o escolhido para representar o Brasil na disputa a uma vaga como indicado a Melhor Filme Internacional no Oscar 2021.

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