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Crítica |’Beleza Eterna’ – A poderosa história de uma mulher com esquizofrenia

Lançado nas principais plataformas digitais para aluguel e compra no último dia 16, a trama traz a sensível luta de uma mulher com a esquizofrenia

Desde o sucesso de Sally Hawkins nos filmes ‘A Forma da Água’ e ‘Blue Jasmine’, onde foi indicada ao Oscar de melhor atriz, todo trabalho em que a atriz está envolvida chama a atenção do público e da crítica.

Ela é tão consistentemente impecável em qualquer personagem que assume e é capaz de criar profundas motivações internas que expressa habilmente, por isso, sempre vale a pena conferir suas performances.

Sony Pictures Home Entertainment

É o caso de seu último filme, Beleza Eterna, escrito e dirigido por Craig Roberts que traz um olhar diferente para a esquizofrenia, embora como um todo seja um pouco desigual, Hawkins entrega uma performance absolutamente cativante como Jane, uma mulher vivendo com a doença que abala diretamente seus relacionamentos.

O roteiro original de Roberts requer bastante atenção, já que os detalhes da vida de Jane não ficam claros de cara; esse obstáculo para conhecer ela e sua família (seus pais idosos e duas irmãs, uma mais velha com uma família, a outra mais jovem e um pouco rebelde) dificultam o interesse no filme inicialmente, mas logo a problemática, mas bem-intencionada Jane de Hawkins nos conquista.

Roberts baseou o personagem de June em um membro da família com quem ele cresceu e que se referia à sua doença como um “superpoder”. A doença mental é reformulada como uma força no longa.

Há uma cena de flashback inicial de uma jovem sendo ela no altar no dia do casamento, e não está imediatamente claro que é Jane quem está sendo deixada. É, porém, e parece ser algum tipo de evento desencadeante, a doença mental de Jane se tornando evidente após o trauma de tudo isso.

Jane navega pela vida com a ajuda de medicamentos que a mantém equilibrada e uma família que cuida dela: Vivian, sua mãe arrogante (Penelope Wilton), a irmã mais velha Alice (Alice Lowe) e a irmã mais nova Nicola (Billie Piper).

Eles toleram suas peculiaridades (como trazer seus próprios presentes para si mesma para a festa de família no Natal) e cuidam dela quando sua condição tenta tirar o melhor dela.

'Beleza Eterna' | A poderosa história de uma mulher com esquizofrenia
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Ela é afiada e observadora, e mesmo que ela possa ter que navegar as vozes em sua cabeça de tempos em tempos, ela é perfeitamente capaz de acompanhar o mundo ao seu redor.

Enquanto estava na sala de espera de seu médico um dia, Jane encontra Mike (David Thewlis), um músico com seus próprios problemas de saúde mental, e os dois se dão bem de uma maneira estranha.

Jane não tem filtros, e diz sempre o que vem em sua mente, e Mike não parece se importar com isso. Há uma doce montagem do casal tão não-tradicional quanto eles são, incluindo uma cena de sexo simples que parece doce e estranha.

Jane decide que está apaixonada e anuncia à família que ela e Mike planejam se casar. Como esperado, Vivian não aceita nada disso, e resolve manter os dois separados. Logo, a condição de Jane se desenvolve e a profundidade de sua doença e seu impacto em sua vida se tornam inegável.

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Comprometida com sua condição mental, as vozes em sua cabeça se tornam mais altas, o mundo ao seu redor parece estar se desenrolando e ela está lutando para manter o controle do que é real e o que não é.

Apesar da sensação às vezes desconectada da narrativa do filme, a força da performance de Hawkins e o olhar do escritor/diretor Roberts para a personagem mantêm a Beleza Eterna interessante.

A atenção aos detalhes no filme é reforçada através do uso de filme de 35mm e da composição cuidadosamente considerada das cenas.

Picos de cor aparecem em lugares inesperados, da sala de jantar de Alice ao clube onde Mike toca sua música, quebrando a monotonia de outras configurações mais tristes, e algumas escolhas divertidas nas jogadas de câmera fazem da produção muito mais do que um drama de personagem direto padrão.

Mas é por Hawkins no papel central que vale a pena assistir o filme até o fim, cada detalhe de sua performance traz uma expressão diferente. De momentos mais lúcidos interagindo com um mundo que ela nem sempre entende até cenas complexas onde não podemos saber tudo o que está acontecendo dentro da mente caótica de Jane, Hawkins está sempre sintonizada e impressionante.


Ficha técnica – Beleza Eterna (Eternal Beauty, 2019)

SINOPSE
Quando Jane (Sally Hawkins) é deixada no altar, ela tem um colapso nervoso e acaba entrando em um universo paralelo caótico, no qual o amor (tanto o real quanto o imaginário) e as suas relações familiares se chocam com consequências ao mesmo tempo chocantes, tocantes e cômicas. Isso muda quando ela inicia um romance com Mike (David Thewlis), um falido músico que está tão perdido e sozinho quanto ela.

ELENCO e EQUIPE TÉCNICA
Diretor: Craig Roberts
Roteiro: Craig Roberts
Produtores: Adrian Bate
Produtores Executivos: Pip Broughton, Mary Burke, Hilary Davis, Emma Duffy
Elenco: Sally Hawkins, David Thewlis, Billie Piper, Penelope Wilton, Morfydd Clark

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